Mulheres líderes: infra representadas na conversa social com 25% das mensagens

LLYC
por
7 março 2022

As mulheres líderes estão infra representadas na conversa digital. Inclusive em uma amostra com igual número de referentes femininos que masculinos, somente 25% das mensagens se referem a elas. É particularmente preocupante a escassíssima visibilidade das mulheres empresárias, com menos de 1 de cada 100 mensagens. E são evidentes as diferenças no trato que recebem eles e elas: enquanto as mulheres recebem mais mostras de afeto, também são objeto de um trato mais infantilizante e são associadas em muito mais ocasiões a seu relacionamento afetivo ou familiar. 

Estas são algumas conclusões do relatório “Mulheres líderes no limite da visibilidade. Análise da conversa digital sobre referentes na política, na empresa e no jornalismo”, elaborado pela LLYC. Para sua realização foi estudada a conversa no Twitter de um ano em torno a perfis de 360 homens e 360 mulheres líderes em 12 países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Espanha, Estados Unidos, México, Panamá, Peru, Portugal e República Dominicana). 

O relatório estuda as diferenças na atenção que se presta às mulheres, sobretudo no tom e no conteúdo da conversa gerada em torno a elas, frente aos homens. Para isso, a equipe de Deep Digital Business da LLYC empregou técnicas de NLP (Natural Language Processing), com as que se processaram 11,5 milhões de mensagens publicadas em Twitter durante um ano (1/2/21 – 31/1/22), compostos por quase 70 milhões de palavras, e análise de sentimento para a avaliação qualitativa.

José Antonio Llorente, Sócio Fundador e Presidente da LLYC: “A visibilidade do talento feminino é, claramente, um acelerador da igualdade, mas, todavia, é muito baixa em âmbitos como o empresarial. Lamentavelmente, uma jovem ativa nas redes e que aspira a dirigir uma empresa, somente verá em Twitter a um homem fazendo o  mesmo. Esta análise se lança à procura de respostas a porque muitas mulheres não traspassam, todavia, o limite da visibilidade. É um esforço muito relevante de nossa equipe, alinhada com nosso compromisso com a igualdade”. 

A mulher, infra representada

O gap de visibilidade é profundo: as referentes femininas são muito menos citadas que seus colegas masculinos, já que somente 1 de cada 4 mensagens (25,76%) faz referência a elas, e com uma leitura inversa notamos que os líderes masculinos têm o triplo de representação que elas. A situação se agrava em países como Portugal (17,1%), Estados Unidos (18,3%) e Equador (19,5%), muito por debaixo da média. Porém, existe uma presença paritária no Peru (50,6%) e Panamá (47,2%), e destaca de maneira excepcional República Dominicana, com um 71,5% de mensagens emitidos sobre mulheres. 

Empresarias sim voz

De os três setores analisados, a política acapara o 70% do total da conversa, a empresa privada 26% e o jornalismo, 3%. Mas nesta conversa as empresárias quase não existem: de cada 20 mensagens sobre empresas somente 1 está dirigida a mulheres (5%) e de cada 100 mensagens sobre líderes somente 1 está dirigida a mulheres empresárias (1%). 

Nos Estados Unidos, a ausência de mulheres visíveis à frente de empresas tecnológicas, que geram um altíssimo volume de conversa, produz uma diferença abismal: 98% da conversa sobre 20 líderes empresariais gira em torno aos 10 que são homens. E apesar de que a média na Ibero América é também baixa (9% das citações sobre empresas), a situação é ainda mais grave em países como Chile, Colômbia e México (1%). 

Peru incorpora uma brilhante excepção e se invertem as porcentagens. Somente 17,9% da conversa sobre líderes empresariais dizem respeito a homens, provavelmente pela alta atividade em Twitter das empresárias analisadas. Enquanto a Espanha, Portugal e República Dominicana se situam entre 75 e 80% da conversa empresarial dedicada a homens. E o único país com uma conversa equilibrada é o Panamá (50,4% sobre mulheres empresárias). 

Espaço em jornalismo e política

O jornalismo se consolida como o espaço de maior visibilidade feminina. 47,4% da conversa sobre este âmbito faz referência a mulheres jornalistas influentes. A visibilidade das mulheres jornalistas é bastante superior à dos homens nos EUA (25% mais) e, dos três âmbitos estudados, o que maior porcentagem de menções para as mulheres registra em Ibero América (37,07% do total). 

Por sua parte, se encontrou uma visibilidade paritária da política na Argentina, no Chile e no Panamá. Frente a países como Equador ou Portugal, onde as políticas recebem um quinto da atenção que se presta a seus colegas masculinos, há um volume de conversa praticamente paritário nos dois países do Cone Sul e no Panamá. Na Espanha, apesar de sua maioria de ministras, todavia geram mais conversa os homens. 

O “duplo castigo”, particularmente para as empresárias 

As empresárias são as que mais o sofrem. O viés de “duplo castigo” consiste em que as mulheres são criticadas por comportamentos associados à sua visibilidade e, o mais importante, valorados positivamente nos homens. E, como se isto fosse pouco, também recebem feedback negativo se são identificadas com os atributos teoricamente opostos. Por exemplo, as empresárias são castigadas por ser ambiciosas (27% mais que os homens), mas também a empatia ou a gentileza são criticadas com o dobro de crueza que os homens. Têm qualificação negativa em geral, e especialmente crítica nas mulheres, qualidades teoricamente objetivas como a independência (13%) e a competitividade (8%). 

Outras caraterísticas da conversa 

Nos 12 países analisados a conversa mais violenta interpela a homens, e supõe 3,65% do total do bate-papo. Com contadas exceções, parece que os empresários se enfrentam mais a este tipo de agressões verbais e que, entre as mulheres, são as jornalistas as mais expostas. No caso das norte-americanas, inclusive por cima dos homens (até 24,12% mais). 

A identidade da mulher vem definida por seu gênero, relacionamento afetivo ou cargo na conversa, sobretudo em políticas e empresárias ibero-americanas e em jornalistas e empresárias norte-americanas. É, todavia, comum descrever as referentes femininas como “mulheres de” ou “esposas de”. E no caso das empresárias de língua hispana, todavia mais, chegando a 62% de diferença em comparação a eles. Também é mais frequente para as executivas americanas, com menções superiores em quase trinta pontos mais às que recebem os homens. No Equador (102% mais que os homens), Espanha (103%) e, muito especialmente, México (242%) os relacionamentos afetivos das empresárias analisadas são claramente objeto de conversa. Para as políticas ibero-americanas é também comum (34,8% de diferença).

 

As emociones e a imagem

No geral, as mulheres que expressam seus sentimentos geram um 23% mais de sentimento positivo que os homens, apesar de que a tendência se inverte para as empresárias, cuja emocionalidade gera um 42% mais de rejeição. 

A tirania da imagem varia de acordo ao país. No âmbito empresarial, sete países prestam mais atenção à imagem masculina: Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Panamá e Portugal. Porém, a situação contraria do resto, e muito em particular de Espanha (+153%), Peru (+64%), República Dominicana (+87%) e os EUA (+23%), faz que, em total, as mulheres executivas  tenham uma diferença de praticamente 32 pontos nas vezes que é mencionada sua aparência. 

Inclusive nesses países onde também se mede aos homens por sua imagem, a mulher também está exposta a uma maior negatividade, muito destacada quando se menciona sua imagem: em México é de 28% mais, no Peru de 40% mais e em Portugal de 48% mais. É, por tanto, entendível que as mulheres empresárias sintam mais pressão e que, se decidem aumentar sua visibilidade, o façam projetando sempre uma imagem mais cuidada que a dos homens, com as dificuldades de tempo e conciliação que isto gera. Ademais, o elogio à aparência feminina é separado por uma fina linha da sexualização, da banalização e do acosso. Um exemplo: atributos como “sexy” aparecem 3 vezes mais associados a mulheres que a homens. 

Conclusões e recomendações 

  1. É urgente incrementar a visibilidade das mulheres líderes, especialmente do âmbito empresarial. 
  2. A visibilidade das mulheres é tarefa de todos. 
  3. Quanto mais presença feminina na conversa, mais rápido se corrigem os vieses de percepção. 
  4. Os esforços de moderação das redes sociais são fundamentais. 
  5. A coisificação e a infantilização das mulheres são facilmente evitáveis. 
  6. A agenda de igualdade deve ser defendida, também, pelos homens. 


O relatório completo pode ser baixado aqui.

 

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